quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Preparem a feijoada e não esqueçam da farofinha caprichada...


porque o FAROFANELES! está de volta...

Não sei porque fiquei tanto tempo sem escrever nada, parecia que eu estava congelada, atônita aos fatos, às pessoas...e devido a isso é que eu volto escrevendo em um estilo mais obscuro, um tanto sombrio...hahaha.




Dona Marta, a morte.

Era um dia como outro qualquer. E assim como seu nome poderia ser qualquer um, como João, Maria, ela se chamava Marta, a morta. Não se tratava de uma morte física, mas sim, da alma. Era uma mulher de poucos amigos, de poucos carinhos, um tanto arisca, talvez por ter sido marginalizada ao longo da vida, mas que mesmo assim continuava sendo uma pessoa de caráter, o que nos surpreende nos dias de hoje, por não ter se submetido ao sistema. Tinha medo da morte, mas mal sabia que seu medo já fazia parte da sua vida, ou melhor, era o reflexo da mesma. Seriam almas gêmeas? Ou quem sabe, primas? Não. Marta não era velha, mas também não era moça, tinha uns tiques nervosos, herdado do gênio intransigente de seu pai, era alta, comprida mesmo, um tanto desengonçada, mas que sempre cumpria suas rotinas numa maior perfeição. Tinha um irmão, bem mais novo, chamado Juninho, não me pergunte qual era seu verdadeiro nome, porque tenho certa apreensão com os nomes advindos do apelido "Juninho". Ele também não escapava das esquisitices, pois uma vez ouvi falar que se tratava de síndrome do pânico e que só saia às ruas de óculos escuros, não sei por que cargas d'água. Mas voltemos a Marta, que só mesmo vira o centro das atenções em uma folha de papel. Finalmente, para sair um pouco do marasmo em que sua vida se encontrava, havia arrumado uns alunos para ajudá-los em História, matéria em que tinha o maior gosto de estudar (e pelo visto de ensinar). Sua falha foi ter esquecido de escrever sua própria história, ao invés de ficar se preocupando com as já existentes. Ensinava de dia, e se precisava, também à noite, mesmo com as reclamações infernais da família que não gostava de perder Dona Marta de vista, mesmo que estivesse fazendo um milhão de anos. Consideravam- na muleta pra tudo, pras tarefas domesticas, pros antigos ( e bota antigo nisso) relacionamentos que teve. Nunca foi suficientemente valorizada e apreciada como merecia e ela já sem esperanças, fingia não ligar. Foi aí que sua vida foi migrando para outros lugares e tal homônima foi surgindo, discretamente, suntuosa, divina, como que um elixir de encanto, de singularidade. Sim, estou falando da Dona morte, a outra Marta. Ela, como quem não queria nada, foi minando no coração da nossa Marta, em seus sonhos, em suas perspectivas futuras, até que um dia resolveu aparecer para levá-la a um passeio de 5 minutos, não mais que isso, mas o suficiente para fazê-la mudar de opinião, de direção. E isso se deu em uma de suas aulas. Marta, já finalizando seu expediente, colocou tudo nos conformes como de costume para voltar pra casa. Foi quando começou a se sentir tonta, a ver as coisas embaçadas, meio desconexas. Seria o efeito de algum álcool? Não, pois bebida não era seu forte. Quem sabe algum tóxico? Só se fossem os seus pais envenenando sua vida. Entretanto, não se tratava disso. Marta sabia que não estava bem, suas pernas não se sustentavam mais, uma fraqueza inesperada surgia e ela não entendia o por quê . Quando deu de cara com um espelho em seu prédio, levou um mega-susto: por que estava pálida? Será que a cor de seus lábios sempre foram roxos e ela nunca tinha reparado? Não. Marta se sentia num frenesi total, mas não era algo bom, era como se estivesse saindo de seu corpo sem escolha, de maneira abrupta. Desespero? Sim, teve, mas não daqueles em que era conhecida por demonstrar, foi um desespero do desconhecido, seguido de paz. Era a morte lhe falando ao pé do ouvido, mostrando-a que não tinha motivos para temê-la, porque ter medo da morte é muito mais do que morrer, é simplesmente parar de viver. E foi justamente isso que a outra Marta quis lhe ensinar. Maquiavel, o renascentista, se tivesse diante de Marta provavelmente lhe falaria: " - Marta, é melhor temer, do que amar." Contudo, mediante o medo, enfraquecemos com a possibilidade de pensar nos possíveis erros alçados, enquanto quando amamos, engrandecemos a alma, recebemos uma injeção de vida, para ser acoplada à nossa. Por isso não tema, pois “quando não souber o que fazer ou o caminho a seguir, sorria... isso fará sua mente descansar, levando os raios de luz e orientação à alma”.

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